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Maçonaria ainda mantém aura de mistério 
Fonte de inspiração do cinema e literatura, grupo permanece envolto em segredos, apesar de se abrir cada vez mais à socidade


RuiMotta
Da Agência Anhangüera
rui@rac.com.br 


Segredos guardados a sete chaves são sempre uma grande fonte de inspiração para autores de romances de suspense e mistério. Um ambiente sombrio, permeado pelo desconhecido e por chaves de conhecimento, é terreno fértil para a imaginação e pode render boas histórias. Assim, proliferam os Código da Vinci, o mistério do Santo Sudário, a Lenda do Tesouro Perdido e até mesmo Indiana Jones. O ponto em comum de todas estas histórias é a maçonaria, que surge como elemento principal ou coadjuvante, com sua aura de misticismo e hermetismo.

Até onde os "segredos" revelados em livros e filmes mostram realmente o que é a maçonaria? Muito pouco, na opinião de Marino Di Tella Ferreira, Venerável da Loja Maçônica Independência, de Campinas, fundada há 138 anos e uma das mais antigas do Brasil. "Muito do que é divulgado não tem fundo de verdade. Há uma mistura de realidade e ficção, que somente confunde e ajuda a crescerem mitos errados sobre a maçonaria", explica.

Para Ferreira, a maçonaria moderna tem sido mais aberta ao público. Antigamente, os próprios maçons se outorgavam codinomes para preservar a identidade. Dom Pedro I, talvez o maçom brasileiro mais reconhecido por ser autor da Independência do Brasil, era chamado pelo nome de Guatemozin.

Walter Brun Araújo, delegado coordenador da Grande Oriente de São Paulo, uma das três Potências que coordenam os trabalhos de todas as lojas espalhadas por todo o Brasil, argumenta que os maçons, cujo dia é marcado no próximo sábado, são, por essência, "livres pensadores", ou seja, respeitam todas as idéias e a liberdade de cada um buscar o entendimento. "Nós buscamos a perfeição, através do absoluto respeito ao indivíduo", define.

Apesar de toda esta liberdade de pensamento, o ritual maçônico está preso a uma tradição controversa, a não-participação das mulheres, que podem se integrar ao grupo apenas pelas entidades Filhas de Jó, Estrelas do Oriente e Meninas do Arco-Íris, voltadas a mulheres e filhas de maçons. Segundo os preceitos da organização, a ritualística maçônica é adequada para o homem, para o raciocínio masculino. Os rapazes participam da maçonaria pela entidade De Molay.

Apenas discretos

Para o Presidente da Associação Maçônica de Campinas e Região, José Ferracini, a mística da maçonaria é fruto da imaginação popular. "Não somos secretos, apenas somos discretos. Nosso endereço está na lista telefônica, nossas atas estão registradas em cartórios, fazemos sessões públicas", explica. Sobre as principais dúvidas das pessoas sobre as atividades maçônicas, ele tem prontas as respostas: "Maçonaria não é uma religião ou seita, não é um agrupamento político, nem uma sociedade de auxílio mútuo".

Em Campinas, existem 26 lojas maçônicas ligadas às três Potências - Grande Oriente do Brasil, Grande Oriente de São Paulo e Grandes Lojas. São quase 1,2 mil homens "livres e aceitos" que têm como lema Ciência, Justiça e Trabalho, tripé onde se busca a investigação da verdade, o exame da moral e a prática de virtudes. Para ser um maçom, é necessário crer na existência de um princípio Criador, ser homem livre e de bons costumes, além de ser convidado por um maçom e aprovado pelos demais.

Além dos trabalhos ritualísticos e de estudo, a maçonaria campineira está envolvida em vários projetos ligados a entidades assistenciais. Também a preocupação com o meio ambiente é uma constante nas atividades desenvolvidas. Um dos focos principais da maçonaria hoje é com relação ao consumo de drogas, uma campanha permanente em favor da vida.

Segredos, símbolos e filosofia

Muito do que se atribui à maçonaria é fruto da aura de mistério que a organização joga sobre si mesma. Mesmo com todo o cuidado para guardar seus segredos de simbolismos e filosofia, são de conhecimento geral os três pontos ao final de uma assinatura, um toque de mão característico para se identificar os maçons ou mesmo o tradicional esquadro e compasso que fazem o símbolo da maçonaria.

Mas as chaves de reconhecimento entre os "irmãos", como se chamam os maçons, vão muito além disto. Eles podem se identificar por meio de palavras-chave que são trocadas regularmente e só conhecem aqueles que freqüentam as lojas. Há vários simbolismos que se expressam de várias formas, no vestir, na arquitetura, na decoração. 

Para um maçom, uma pedra nunca é apenas uma pedra. Isto vale para uma acácia, uma pintura, uma corda, uma espada, um símbolo do zodíaco, uma estrela ou uma coluna. Cada elemento assume um simbolismo exótico, que só é revelado nos templos maçônicos. As lojas do mundo inteiro, por exemplo, são decoradas com símbolos da cultura egípcia, como o Triângulo Radiante, que possui um olho desenhado no centro. Bastante conhecida, a imagem representa o Olho Onividente (Deus tudo vê).

Marino Di Tella Ferreira, Venerável da Loja Maçônica Independência, admite que esta simbologia, a ritualística e a ostentação dos templos podem assustar as pessoas leigas. "Nas sessões abertas ao público, podemos notar que, para alguns convidados, fica uma imagem preocupante, mas também temos agradáveis surpresas. No início de cada reunião, explicamos o que é a maçonaria e o por quê de tantos símbolos. Hoje mesmo, a maioria dos templos não tem tantos adereços", diz, ressaltando que a imponência da Loja Independência se deve ao fato de ser um templo centenário: "Se compararmos com uma foto que temos de 1927, veremos que muito pouca coisa mudou aqui dentro", exemplifica.(RM/AAN)

Origem remete ao antigo Egito e aos essênios

Os maçons são tão ciosos em manter seus segredos, que até mesmo a sua origem está envolta em mistério. Mesmo entre os historiadores maçons, há divergências e muita lenda, dado o caráter místico do assunto.

A rigor, a maçonaria foi formalmente criada em 1717 na Inglaterra. Neste início do século 18, quatro Lojas se uniram e formaram o que se chamou de Grande Loja. O painel político da época, com o rompimento da Coroa britânica e o clero romano, fez com que o trabalho clandestino pudesse vir à tona, colocando um ponto final no período de perseguição.

No entanto, tem-se que a origem informal da maçonaria remete ao antigo Egito, aos essênios e até mesmo dos cavaleiros templários da Idade Média, inspiradores dos principais rituais e símbolos adotados pelas lojas até hoje. Não faltam histórias de descendentes de Caim, de Ninrode, fundador da Babilônia, ou mesmo Hiram Abif, o arquiteto do templo de Salomão.

O termo maçom vem da palavra francesa para pedreiro, pois os primórdios conhecidos da entidade foram entre artesãos, mais tarde tornando-se abertos a outros grupos. Um dos símbolos mais significativos da maçonaria é uma estátua que mostra um homem esculpindo o próprio corpo na pedra.

A Loja Maçônica Independência, de Campinas, é uma das mais antigas do Brasil, fundada em 23 de novembro de 1867. A presença da maçonaria na cidade pode ser notada em especial na Educação: as escolas Francisco Glicério, Normal, Bento Quirino e o Culto à Ciência, nasceram sob inspiração maçônica.(RM/AAN)

SEMANA DO MAÇOM

Para celebrar o Dia do Maçom, a Associação Maçônica de Campinas e região organizou uma série de eventos desde o último sábado, com o 2 Fórum Estadual de Direito Maçônico, no Sesc-Campinas.

Hoje - homenagem da Câmara Municipal de Campinas na Loja Maçônica Inconfidência Terceiro Milênio.

Quarta-feira - palestra na Loja Maçônica Barão Geraldo de Rezende sobre a Maçonaria no 3 Milênio.

Sexta-feira - lançamento do Concurso Literário para alunos até a 8 série das escolas públicas, como o tema O Planta Pede Água,na Loja Maçônica Independência.

Sábado - no Dia do Maçom, na Praça dos Maçons, haverá uma homenagem, que se completará à noite no Centro de Eventos do Hotel Vitória, com o 22 Encontro Maçônico, coquetel e jantar dançante.

MAÇONS FAMOSOS 

EM CAMPINAS

Alberto Sarmento
Álvaro Ribeiro 
Bento Quirino dos Santos
Bernardino de Campos
Campos Salles
Francisco Glicério
Francisco Quirino dos Santos
José Paulino
Moraes Salles
Orosimbo Maia
Ramos de Azevedo
Thomaz Alves

NO BRASIL 

Adhemar de Barros
Américo Brasiliense 
Benjamin Constant
Bento Gonçalves
Jânio Quadros
José Bonifácio
Júlio de Mesquita
Lamartine Babo
Lauro Sodré
Pedro de Toledo
Pixinguinha
Quintino Bocaiúva 
Rui Barbosa
Vicente Celestino
Washington Luís
Wenceslau Brás 

NO MUNDO

Abraham Lincoln
Alexander Fleming
Benjamin Franklin
Charles Chaplin
Clark Gable
Franklin Roosevelt
George Washington 
Henry Ford
Louis Armstrong
Nat King Cole 
Neil Armstrong
Winston Churchill